Vegetação original da região pode ser fonte de alimentação e água para contribuir na sobrevivência de sertanejos
Por Heilysmar Lima
A seca que assola o interior do Rio
Grande do Norte causa problemas para o sertanejo conseguir alimento. Com
dez anos de experiência, o Suboficial Martins, instrutor da disciplina
Semi-árido, no Curso Especial de Comandos Anfíbios (Comanf), deu dicas
para conseguir alimentação e água utilizando a vegetação do sertão.
Se alimentar dessas plantas pode até
parecer estranho, mas os sabores e as consistências das “especiarias”
são semelhantes as de legumes como o chuchu e a batata inglesa. Além de
não terem o gosto desagradável, são importantes para nutrir as pessoas
que vivem em ambientes de extrema seca.
De acordo com o militar, a coroa de
frade, um cacto com formato arredondado e envolto de espinhos, é uma das
principais fontes, tanto para os alunos do curso da Marinha brasileira,
quanto para os sertanejos.
A planta é capaz de alimentar quatro
pessoas ao longo de dois dias. Além disso, segundo Martins, ainda pode
resolver problemas no sistema respiratório, como asma, pois serve de
lambedor.
Para isso, deve-se retirar os espinhos e
colocar açúcar na parte superior e deixar a coroa ao sereno. Além de
alimentar, a coroa de frade serve como panela para esquentar água.
Cardápio variado
A palma doce é mais uma vegetação
importante. Nativos da região utilizam a planta para fazer sopas. Outra
utilidade, de acordo com a crença popular, é que a palma serve para
resolver problemas renais.
O juazeiro é uma árvore que se destaca
por se manter verde mesmo com a seca. Dele, a folha e o juá são ricos em
vitamina C e podem até servir de alimento por dois dias. A raspa do
tronco tem em sua composição a saponina, que é utilizada para fazer a
limpeza dental.
No xique-xique, no facheiro, no
cardeiro, no mandacaru, na macambira, além da batata do umbuzeiro,
também podem ser encontrados nutrientes para a sobrevivência.
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