sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UM SONHO A MAIS NÃO FAZ MAL

Valério Mesquita*
mesquita.valério@gmail.com
O ano da graça de 2015 está chegando ao final. No ar, esperanças, perspectivas, novas manhãs de ressurreição e fadigas de longas e crepusculares esperas. Renova-se o verão, desta vez mais quente e sem fartura de cajus. Com relação a Macaíba, quais as novidades, além dos políticos de carreira? Em cada esquina um líder, em cada rua um partido e todos se alvoroçando porque 2016 é ano de eleição. Ninguém presta atenção ao Jundiaí decomposto e sujo, morrendo de inanição na rasura dos dejetos. “O Ibama só atua em Natal”, disse-me um vereador do alto de sua prosopopéia. “Não aparece nenhum fiscal fuleiro”, completou amargo e verde como se tivesse bebido a água poluída.
Passado o dia do enganoso da pátria, tá na hora de cobrar o preço da fatura. De lembrar aquilo que nos devem. Cadê a restauração do Empório dos Guarapes, gemido sufocado da história econômica do Rio Grande do Norte, sepultada no alto de uma colina. Fabrício Pedroza, fundador de Macaíba, que doou terras para construírem a igreja e o cemitério e que no governo imperial a transformou no eldorado do comércio e da indústria extrativista que superou Natal – hoje jaz esquecido, apunhalado pelo esquecimento oficial. Cadê a Central do Cidadão, anfiteatro democrático da liberdade e da soberania do povo sem lenço nem documento! Onde a iluminação do canteiro central da Br-304, entre Parnamirim e Macaíba, de trevo à trevo, iluminando as fábricas e os operários contra as sombras do assalto e da insegurança.
Por que ninguém se lembra do vazio, e do vácuo do Hospital Alfredo Mesquita, desabitado de médicos profissionais, de equipamentos e leitos, ao ponto de ser acoimado como “hospital dos mártires”? Antes, era uma unidade de saúde regional e hoje nem municipal o é. E em Macaíba, qual o lugar, o bairro, a rua onde se vive sem violência ou sem droga? Mataram Cosme e Damião. Não os santos. Mas, os dois policiais das avenidas e praças. E nem motos e nem veículos trafegam mais porque o pânico, o medo e a diarréia sucumbiram ante o domínio da marginalidade dos capetas que manipulam as estatísticas criminais.
Diante de todo esse quadro trágico e parafernálico ainda vale dizer que um sonho a mais não faz mal, no alvorecer de um novo ano? Acho que sim. É preciso que o governador assuma Macaíba, como no passado o fizeram outros governadores. O município tem importância histórica, cultural, além de significativa expressão comercial e industrial. A prefeitura navega em águas turvas distribuindo cargos comissionados aos fracos de caráter. A toda hora cai um pseudo líder. A máquina do poder público faz mais pelos idiotas vulgares do que pelo povo. Por isso, um sonho a mais, para que estas e outras coisas venham desaparecer – não faz mal. Nenhum mal. Pois, não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe. É só o povo conhecer a verdade e ele lhe libertará. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer (Geraldo Vandré).
(*) Escritor.
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